Realidades Cotidianas Complexas: Mulheres e Classe, por Hana Plant

Hana Plant é mili­tante do Beyond Resis­tance. O original pode ser encon­trando no Zaba­laza. Texto tradu­zido a pedido do Muito Além do Céu.

Eu escrevo essa história para criar cone­xões entre luta de classes e femi­nismo, para que as vidas das mulheres traba­lha­doras sejam real­çadas, façam parte da estru­tura polí­tica. Para isso, eu preciso escrever de uma pers­pec­tiva pessoal/política. Para mim, o famoso ditado femi­nista “o pessoal é o polí­tico” não é tanto sobre mudar nossas próprias vidas para mudar o mundo, mas uma base teórica que reafirma o valor de nossas histó­rias e usa os padrões entre elas como base para soli­da­ri­e­dade. Isso cabe a muitas mulheres (não todas), porque muitas de nós fomos soci­a­li­zadas para focar no mundo do “privado”: o lar, as emoções, as rela­ções próximas. Ao mesmo tempo, porque nossos problemas não são vistos como válidos, eles são consi­de­rados da esfera privada. Então, histó­rias pessoais, quando combi­nadas, nos permitem, sem nos enver­go­nharmos, declarar a natu­reza cole­tiva de algo outrora consi­de­rado indi­vi­dual: o abuso domés­tico e a violência sexual são bons exem­plos. A beleza do caráter pessoal é que ele respeita nossa reali­dade única: nenhuma história é exata­mente igual a outra. Pelo que eu vejo, a maior parte da teori­zação de luta de classes não procura superar a divisão entre pessoal e polí­tico. Geral­mente, a lite­ra­tura e as discus­sões focadas na classe descrevem o domínio “público”: atua­li­dades, governo e economia mone­tária. Apesar de eu acre­ditar que essas coisas são impor­tantes, eu quero espaço para textos que reflitam as reali­dades das mulheres: o tipo de coisa que nos afeta, assim como nossa(s) formas(s) de rela­ci­o­na­mento. Então esta sou eu olhando duas das várias formas de rela­ções de poder — patri­ar­cado e capi­ta­lismo — de uma pers­pec­tiva pessoal/política. Continue reading